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Aguinaldo Silva, um capítulo infeliz
Postado por lucas em Economia , 05/03/2010 às 18:19
Eu morei no Rio - de janeiro - e sempre incomodou-me o tratamento pejorativo que se dava ao nordestino e, em particular, a Parahyba. Sei que é apenas uma expressão, mas é negativa, segrega, é preconceituosa, é ingrata; pois essa gente que fugiu da seca e dos desmandos políticos no nordeste, ajudou a construir os principais símbolos cariocas: ponte Rio-Niterói, Maracanã etc, afora a contribuição literária e artística.
O episódio que envolve um big brother Marcelo Dourado e o autor de novelas Aguinaldo Silva, traz a tona uma velha discussão sobre essa ignorância carioca, sobre geografia, somando-se ao viés do preconceito cultural. O inusitado desse capítulo mal fadado é que o termo “paraibazinho” foi para enquadrar o big brother justamente por que esse rapaz- que era um lutador desconhecido até essa exposição global- fez um comentário preconceituoso sobre o comportamento homossexual. Ora, a reação de Aguinaldo Silva é perfeitamente compreensível. Só que não se combate preconceito com preconceito. Um erro nunca vai justificar o outro.
Imagine se a gente começasse a chamar todo marginal de “carioca“, pois o Rio é a capital da violência brasileira. Não tem sentido. O Rio é realmente um lugar maravilhoso e essa face feia da violência não pode empanar suas belezas. Os nordestinos torcem para que o Rio resolva seus problemas sociais, porque sabemos a importância do Rio como cartão postal do nosso pais.
Quem visita a terra Parahyba e descobre os seus encantos: belezas naturais, riquezas históricas, gentileza do seu povo, diversidade cultural, jamais tratará com desdém a Parahyba, a sua gente, a sua historia.
Entendo que Aguinaldo Silva deve desculpas ao povo nordestino, em particular aos paraibanos e é chegada a hora do carioca mudar a sua forma de tratamento em relação ao povo nordestino. Isso explica porque as novelas são caricaturais, estereotipadas na ignorância de quem podia reeducar , mas que, infelizmente contribui para que a desinformação continue sendo regra nas novelas e minisséries brasileiras.
Ainda bem que houve reação aqui na Parahyba, o ideal seria um debate maior em outros âmbitos sobre esse tema, para que esse capítulo preconceituoso não vire apenas cenas de uma novela que não vale a pena ver de novo.
Em tempo: Aguinaldo Silva nasceu no interior de Pernambuco, na cidade de Carpina.